Katie Ford, ex-CEO da Ford Models, e
especialistas em combate ao trabalho escravo
debateram a exploração de trabalhadores pela indústria da moda durante o simpósio "O enfrentamento à escravidão contemporânea, realizado no Tribunal Regional Federal da 3ª região, em
comemoração aos 125 anos da abolição da escravatura, celebrado neste 13 de
maio.
Para uma plateia de magistrados,
procuradores, auditores fiscais, acadêmicos e jornalistas, entre outros, foram
apresentados alguns dos principais flagrantes no setor no Brasil e discutidas estratégias para se
aprimorar o combate à prática. Katie, que ficou famosa por seu trabalho à
frente da Ford Models, uma das principais agências de modelos do mundo,
ressaltou a gravidade da dimensão do problema.
“É inacreditável que ainda exista escravidão”, disse,
ressaltando que, além dos problemas na produção de peças de algumas das
principais grifes do planeta, há também casos de exploração de modelos, muitas
vezes meninas de países pobres em situação vulnerável. Ela fundou o grupo Free
for All e tem percorrido o planeta denunciando trabalho escravo e tráfico de
pessoas.
Detalhes dos casos em questão e exemplos de violações foram
apresentados pelo auditor fiscal Luís Alexandre Faria, da Superintendência
Regional do Trabalho de São Paulo, que destacou que as operações de fiscalização
independem de denúncias. Mais do que fiscalizações pontuais, os auditores
trabalham no estado procurando mapear cadeias produtivas e apontar a
responsabilidade e o papel de grandes grupos em violações sistemáticas. “Em vez
de simplesmente considerar culpado o dono de uma oficina pequena, procuramos
considerar o contexto para resolver mesmo o problema. Antigamente, fechava-se
uma oficina e apareciam outras dez. Isso é enxugar gelo”, afirma.
A mesa “Escravos da moda” foi
coordenada pelo desembargador Fausto De Sanctis e pelo jornalista Leonardo
Sakamoto, coordenador-geral da Repórter Brasil.
Mais cedo, no mesmo evento, o governador Geraldo Alckmin anunciou a regulamentação da lei que cassao registro de ICMS de empresas flagradas com escravos.
FONTE: REPÓRTER BRASIL
Nenhum comentário:
Postar um comentário